O presidente da câmara de Viana do Castelo garantiu hoje que “tudo fará” para que o cinema continue a existir no distrito e adiantou que há duas entidades interessadas em dar continuidade às salas encerradas pela Cineplace.
Em janeiro, a exibidora cinematográfica brasileira Cineplace encerrou as salas de cinema que explorava em Portugal, por ter sido alvo de um processo de insolvência.
“O município fará tudo que o que estiver ao seu alcance para garantir que o cinema continue a existir na cidade e no distrito de Viana do Castelo”, afirmou o autarca socialista, Luís Nobre, em reposta a uma interpelação do vereador do PSD, André Loucinha.
O autarca socialista disse ter-se disponibilizado para integrar a comissão criada pelo Governo para avaliar esta situação e que, quando a autarquia tiver de emitir parecer sobre a desafetação da sala de cinema do Estação Viana Shopping, irá pronunciar-se desfavoravelmente.
Luís Nobre assegurou que a desafetação da sala de cinema no ‘shopping’ terá de ter um parecer da Câmara de Viana do Castelo, mas, “até ao momento, o Ministério da Cultura, [ao abrigo da comissão que criou para analisar o encerramento das salas de cinema no país] ainda não iniciou esse processo”.
“A Câmara de Viana do Castelo irá emitir um parecer desfavorável. Os pressupostos que estiveram subjacentes à construção do ‘shopping’ no centro histórico da cidade também assentaram na vertente cultural. A integração do cinema no centro comercial foi um ponto de ponderação na decisão. Esta posição foi transmitida com toda a clareza à entidade proprietária e à entidade gestora do ‘shopping’. Que não restem dúvidas”, sublinhou.
O autarca garantiu que a continuidade da atividade cinematográfica na cidade está a “ser trabalhada com as duas entidades interessadas”, que não revelou, e acrescentou que a entidade detentora e gestora do ‘shopping’ estão “a par deste interesse”.
Luís Nobre adiantou que a câmara “está disponível para apoiar” a continuidade da sala de cinema, por considerar “que é fundamental para a cidade e para a região”.
“Isto é um posicionamento e não uma reivindicação. Espero que rapidamente se encontre uma solução. Interessa ao país manter esta atividade”, frisou.
Após a intervenção do autarca, o vereador do PSD, Paulo de Morais, afirmou que “o cinema está no ADN de Viana do Castelo”, recordando que existem, há anos, sessões cineclubistas, que o filme “O Cônsul de Bordéus” foi filmado em Viana do Castelo e que já há um festival dedicado à sétima arte.
“Pode contar com o nosso total apoio para garantir a continuidade do cinema na cidade”, assegurou Paulo de Morais.
Em 2025, a Cineplace encerrou os cinemas em Portimão e na Guia, ambos no distrito de Faro, e também no Funchal (Madeira) e no Seixal (Setúbal). O encerramento das restantes salas foi progressivo entre dezembro passado e janeiro deste ano: Fecharam portas as salas de cinema na Guarda, nas Caldas da Rainha (Leiria), depois na Covilhã, em Leiria, em Viana do Castelo, em Braga, em São João da Madeira (Porto) e em Loures (Lisboa).










