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Venda de livros cresce 6,9% em 2025

A venda de livros em Portugal registou um crescimento de 6,9% em 2025 face ao ano anterior, totalizando 14,8 milhões de exemplares vendidos, de acordo com dados divulgados pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), com base na auditoria da entidade independente GfK.

Em termos de valor, o mercado livreiro atingiu os 217,5 milhões de euros, o que representa um aumento de 7,6% em comparação com 2024, quando as vendas totalizaram 203,7 milhões de euros. Apesar da evolução positiva, a APEL sublinha que o crescimento deve ser analisado com prudência, uma vez que foi fortemente influenciado pelo desempenho excecional dos livros de colorir, nomeadamente mandalas, e pelo segmento infantil.

Segundo a associação, este fenómeno marcou de forma significativa o ano de 2025, mas não corresponde necessariamente a um aumento estrutural da leitura nem à captação de novos leitores. O presidente da APEL, Miguel Pauseiro, alerta para a importância de distinguir entre crescimento conjuntural e estrutural, referindo que o aumento das vendas não se traduz automaticamente em maior literacia ou hábitos de leitura mais sólidos.

A análise por géneros confirma esta tendência. O segmento infantil e juvenil foi o único a registar um crescimento expressivo, passando de 34,5% das unidades vendidas em 2024 para 36,3% em 2025. A ficção manteve-se praticamente estável, com um peso de 33,6% do mercado, enquanto a não-ficção registou uma quebra, representando 26,8% das vendas, face aos 29,2% do ano anterior.

O preço médio do livro aumentou ligeiramente para 14,66 euros, mais 0,6% do que em 2024. A APEL destaca que este valor ficou abaixo da taxa de inflação estimada para o período, indicando que as editoras continuaram a absorver parte do aumento dos custos de produção e logística, de forma a não comprometer o acesso à leitura.

Os dados revelam ainda estabilidade nos canais de venda, com as livrarias e outros pontos especializados a concentrarem cerca de 69,8% das unidades vendidas e 78,5% do valor total do mercado, enquanto os restantes livros foram vendidos sobretudo em hipermercados. Em 2025, chegaram ao mercado cerca de 15 mil novos títulos.

Para a APEL, o principal desafio passa agora por transformar os sinais positivos em hábitos de leitura duradouros, especialmente entre crianças e jovens. A associação defende, por isso, a continuidade de políticas públicas de apoio ao livro, às livrarias, às bibliotecas e à criação editorial, de forma a garantir um crescimento sustentável da literacia em Portugal.