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“É um dia de muita alegria”: emigrantes venezuelanos reagem à queda de Maduro

“É um dia de muita alegria para o povo da Venezuela”. É assim que Eduardo Pita, de 34 anos, natural de Caracas e residente em Paredes de Coura desde 2018, reage ao ataque militar ordenado pelos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da sua mulher.

Depois de mais de duas décadas de governação chavista, Eduardo diz viver o momento com emoção e incredulidade. “É uma coisa que já esperávamos há muito, são mais de 25 anos de ditadura. A gente que está fora do país está mesmo feliz neste momento. Parece que estamos a ver um filme, ainda não acredito que isto está a acontecer”, afirma à Altominho TV.

Segundo o venezuelano, familiares que permanecem no país receiam novos desenvolvimentos militares, admitindo a possibilidade de novas incursões por parte das forças norte-americanas.

O ataque foi anunciado no sábado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, através da rede social Truth Social. “Os Estados Unidos da América levaram a cabo com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e o seu líder, o Presidente Nicolás Maduro, que foi, juntamente com a sua esposa, capturado e retirado do país por via aérea”, escreveu.

De acordo com declarações posteriores de Trump, citadas por meios internacionais como a Reuters e a BBC, Nicolás Maduro e a mulher foram levados para os Estados Unidos, onde deverão ser julgados por acusações que incluem narco-terrorismo. O presidente norte-americano afirmou ainda que os EUA estarão “fortemente envolvidos” no futuro da Venezuela, incluindo no setor petrolífero. “Temos as maiores companhias petrolíferas do mundo (…) e vamos estar muito envolvidos nisso”, disse numa entrevista à FOX News.

Eduardo Pita acredita que este acontecimento pode marcar o início de uma nova fase para o país e não exclui o regresso de muitos emigrantes. “Muita gente já está a fazer a planificação para voltar, sem dúvida. Ou era assim ou a Venezuela não iria ser livre nunca mais”, refere. O venezuelano vive em Portugal com a mulher e os dois filhos, ambos nascidos já em território português.

Apesar do sentimento de alívio manifestado por alguns emigrantes, nem todos partilham da mesma visão. Dadinir Castillo, residente em Viana do Castelo, encara a intervenção norte-americana com preocupação. “É preocupante o que pode estar por trás disto”, afirma, alertando para as possíveis consequências futuras. “O que poucos estão a ver é a fatura que o povo vai ter que pagar depois disto.”

Já José Mundaraín, de 43 anos, natural de Valencia e a residir em Paredes de Coura há sete anos, considera que a situação representa uma mudança necessária. “A Venezuela precisava de mudar de governo, precisava de uma mudança de sistema político”, diz. Embora reconheça que ainda é cedo para avaliar os efeitos da intervenção, manifesta esperança numa melhoria das condições económicas, da saúde e da segurança social: “Esperamos que esta transição corra da melhor maneira possível.”

A Venezuela acolhe uma das maiores comunidades portuguesas na diáspora, sendo a segunda maior da América Latina, depois do Brasil. Enquanto o futuro político do país permanece incerto, as reações dos emigrantes venezuelanos no Alto Minho refletem sentimentos contrastantes de esperança, cautela e apreensão perante um acontecimento com impacto profundo dentro e fora do país.