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Plataforma para ajudar comerciantes vendeu 40.000 euros em ‘vouchers’

Um grupo de oito voluntários criou a plataforma Preserve, onde é possível comprar ‘vouchers’ para usar futuramente em estabelecimentos comerciais que estejam agora fechados, e já vendeu 40.000 euros em três semanas.

Em entrevista à agência Lusa, o responsável do projeto, Ricardo Gonçalves, explicou que a ideia para a criação da plataforma Preserve (deve ser lido em português e não em inglês, sublinhou) lhe surgiu há cerca de um mês e meio, quando, em conversa com um amigo, dono de um hotel no Porto, o ouviu desabafar que, depois de vários cancelamentos, não tinha uma única reserva até ao final de maio e não sabia como fazer face às despesas fixas.

Ricardo Gonçalves pensou, então, numa forma de permitir aos comerciantes com os estabelecimentos fechados continuarem a gerar receitas no imediato, que lhes permitisse fazer face a despesas como as contas da luz, água ou rendas, através da venda de ‘vouchers’ (vales) com a validade de 24 meses, em que o dinheiro é transferido no momento da compra.

“A ideia é a comunidade apoiar os seus locais preferidos, a saber que vai poder usufruir do serviço porque eles próprios estão a contribuir para a sobrevivência dos estabelecimentos preferidos”, explicou o responsável.

Em funcionamento há cerca de três semanas, a plataforma www.preserve.pt já conseguiu juntar 1.200 comerciantes e duas parcerias importantes – uma com a L’Oréal produtos profissionais e outra com a Super Bock – que lhes permitiu passar de centenas de euros em ‘vouchers’ para estar perto dos 40.000 euros.

A plataforma não tem restrições ao nível de categorias de comércio e, desde que sejam estabelecimentos com presença física e que estejam a ser afetados pelos efeitos da covid-19, tudo pode ser incluído, como restaurantes, alfarrabistas, hotéis e até um local para praticar ‘paintball’, como já têm.

Para passar a palavra sobre o projeto, o primeiro passo foi contactar as associações comerciais de norte a sul do país.

“Telefonámos a todas as associações comerciais do país no mesmo dia, ouvimos todas as pronúncias de Portugal num dia só, de norte a sul, até às ilhas”, recordou Ricardo Gonçalves.

Com o projeto “a crescer todos os dias”, o responsável não esquece o grupo de voluntários (Daniela, Pedro, Rita, Sofia, Ana, Duarte e Telmo, como fez questão de referir) que o ajudou a criar a plataforma em cerca de uma semana e meia, algo que diz ser inédito no mundo da tecnologia.

“Isto apoderou-se dos nossos dias, mas agora estamos nisto até ao fim”, admitiu, explicando que, não o sendo, o grupo funciona agora como uma empresa, com reuniões diárias, serviço de apoio ao cliente, resposta a e-mails e demais funções.

O projeto foi desenvolvido no âmbito do tech4COVID19, um movimento de mais de 5.000 engenheiros, cientistas, ‘designers’, ‘marketeers’, profissionais de saúde, entre outras especialidades, e os voluntários não ficam com qualquer comissão do dinheiro que é gerado através da Preserve, existindo apenas um parceiro intermediário que trata dos pagamentos e que tira somente a comissão que lhes é cobrada pelos bancos.

Até agora, o Grande Porto e a Grande Lisboa representam, sem grande surpresa para o promotor, as zonas com maior percentagem de ‘vouchers’ vendidos, seguindo-se Guimarães, Vila Real, Viseu, Braga e Viana do Castelo.

Quanto ao tipo de comércio, os que tiveram maior adesão foram os estabelecimentos noturnos, que o responsável confessa não ter esperado, mas que pode ser explicado pela parceria com a Super Bock, em que a marca de bebidas oferecia mais cinco euros por cada ‘voucher’ vendido, seguindo-se os restaurantes, serviços de beleza e bem estar, cafés e cultura (livrarias, museus, teatros, etc).

Nos próximos dias, a Preserve vai lançar três novas parcerias: com a Energia Simples, que fornece eletricidade comercial renovável, a Cosmenatura, de produtos profissionais de beleza, e com a MB Way, que vai oferecer dois euros extra em todos os ‘vouchers’ vendidos.