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Deputados do PS questionam Governo sobre encerramento da Camipão

Os deputados do Partido Socialista (PS) eleitos por Viana do Castelo questionaram o Governo sobre o encerramento da empresa Camipão, em Caminha, que fechou portas a 25 de março.

No requerimento enviado à ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, os deputados Marina Gonçalves, Anabela Rodrigues, José Manuel Carpinteira e Tiago Ribeiro referem que “é de duvidosa compreensão que, num momento em que o Governo está a desenhar apoios para salvaguarda das empresas e dos seus trabalhadores, por forma a contrariar os efeitos da crise de saúde pública que tem levado à inatividade de muitos setores, uma empresa responsável por tantos empregos tome esta decisão”.

A Camipão é “uma empresa com décadas de atividade e com uma importância inquestionável para a economia do concelho de Caminha”, mas também para o concelho de Vila Nova de Cerveira, para onde a empresa expandiu a sua atividade, “contando hoje com 11 lojas e mais de seis dezenas de trabalhadores”, argumentam os deputados.

Os deputados socialistas referem ainda que, “apesar das diversas dificuldades financeiras que a empresa foi alegando ao longo dos anos, nada fazia prever este encerramento, sem aviso prévio aos trabalhadores e sem salvaguarda dos muitos clientes que diariamente eram fornecidos por esta empresa e ainda mais numa fase em que o país se enfrenta a uma pandemia sem precedentes com evidente impacto no desenvolvimento económico e social do país”.

Para o PS, prosseguem, “é determinante perceber se o alegado incumprimento laboral se verifica, nomeadamente quanto ao pagamento atempado da remuneração e outros valores legalmente devidos, à salvaguarda dos requisitos legais quanto ao aviso prévio ao despedimento coletivo ou aos motivos que levaram ao encerramento desta importante empresa”.

Os deputados socialistas perguntam, no requerimento hoje enviado à tutela, se “face às denúncias dos trabalhadores quanto ao procedimento da empresa, foi promovida alguma diligência por parte da ACT” e, em caso afirmativo, “que irregularidades foram identificadas e que procedimentos foram empreendidos junto da empresa”.

Os parlamentares questionam ainda “que medidas podem ser empreendidas com vista à salvaguarda de uma empresa tão importante para a população e economia local e para a estabilidade profissional dos trabalhadores que ainda pertencem a esta empresa”.

O PCP e o Bloco de Esquerda também já tinham questionado a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre o encerramento da panificadora, que deixou cerca de 65 trabalhadores no desemprego, devido à pandemia de Covid-19.

Na altura, a Lusa contactou o presidente da câmara, Miguel Alves, que disse não poder confirmar o encerramento, acrescentando que “na quarta-feira a Camipão suspendeu a produção de pão e fechou as lojas por haver intranquilidade e desconforto entre os funcionários”.

“A câmara teve de arranjar outra empresa para fornecer o pão para servir aos alunos e famílias carenciados do concelho a quem o município está a assegurar refeições neste período de pandemia da Covid-19. Fomos avisados menos de 24 horas antes da suspensão da laboração”, explicou o autarca.