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Encerramento afeta cerca de 40% das 300 empresas espanholas no Alto Minho

O presidente da Confederação Empresarial do Alto Minho (CEVAL) estimou, esta terça-feira, em 40% a percentagem de encerramentos nas 300 empresas de capital espanhol instaladas nos 25 parques empresariais da região e que empregam cerca de 15.000 trabalhadores.

Contactado pela Lusa a propósito das consequências sociais e económicas que a doença Covid-19 está a ter no tecido empresarial dos 10 concelhos do distrito de Viana do Castelo, onde estão localizados os 25 parques empresariais, com uma área equivalente a 777 campos de futebol, Luís Ceia disse que “entre hoje e quarta-feira, a percentagem de encerramentos, sobretudo da fábricas, de capital espanhol, que produzem para o setor automóvel, “atingirá cerca de 40, a partir de quarta-feira.

“Umas já fecharam hoje e outras encerram a partir de amanhã [quarta-feira], face ao encerramento anunciado da fábrica da PSA de Vigo, na Galiza, e das congéneres europeias. É o efeito em cadeia e que vai ser uma hecatombe para a região.”, alertou o  presidente da CEVAL, estrutura que representa cerca de 5.000 empresas do distrito de Viana do Castelo e que empregam mais de 19.000 trabalhadores .

Luís Ceia adiantou que, nos restantes setores de produção de papel, alimentar, distribuição e têxtil, as “fábricas continuam a trabalhar mas com perturbações e constrangimentos”.

“Não há redução no volume de trabalho, mas há muitas limitações nos recursos humanos, com trabalhadores em casa a dar apoios aos filhos, outros afetados psicologicamente que querem ficar em quarentena, com medo de contrair a doença”.

O presidente da CEVAL adiantou também que “o comércio de proximidade também está a ser muito penalizado” , adiantando que “a cidade de Valença, muito dependente do mercado espanhol e com as limitações impostas nas fronteiras, está muito perto de atingir os 100% de encerramentos de estabelecimentos comerciais”.

O novo coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou, até à data, mais de 180 mil pessoas, das quais mais de 7.000 morreram. Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 75 mil recuperaram da doença.

O surto começou na China, em dezembro, e espalhou-se por mais de 145 países e territórios, o que levou a OMS a declarar uma situação de pandemia.
Depois da China, que regista a maioria dos casos, a Europa tornou-se o epicentro da pandemia, com mais 67 mil infetados e pelo menos 2.684 mortos.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.