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Primeiros trajes de Viana certificados assinalam início de confeção

O início da confeção do Traje à Vianesa, de acordo com o Caderno de Especificações, foi esta terça-feira assinalado em Viana do Castelo com a apresentação pública dos primeiros cinco exemplares que ostentam a etiqueta de certificação, concluída em 2016.

Os trajes de Areosa, Afife, Santa Marta de Portuzelo, Geraz do Lima e o traje azul escuro mais conhecido como o de Dó, confecionados por três artesãs de Viana do Castelo, foram os exemplares apresentados numa sessão que decorreu no Museu do Traje, em pleno centro da cidade, sendo que um deles irá integrar o espólio da Casa do Minho do Rio de Janeiro, no Brasil.

Presente na sessão, o presidente da Câmara de Viana do Castelo justificou aquela certificação com o “receio de que se pudesse adulterar uma verdadeira maravilha da arte humana”.

“Esta primeira fase está consolidada. A partir de agora, vamos transformar o Traje à Vianesa em património nacional e depois o futuro o dirá”, afirmou José Maria Costa.

Em agosto de 2017, durante a Romaria d’Agonia, o autarca anunciou a intenção de candidatar o Traje à Vianesa a Património Nacional, classificação que justificou com a “autenticidade, beleza e simbolismo” do primeiro traje certificado do país.

A certificação do traje à Vianesa, com origem no século XIX, foi publicada em Diário da República no final de 2016.
O processo foi adjudicado pela câmara municipal em maio de 2013 à Associação “Portugal à Mão”.

O pedido de registo foi formalizado pela Câmara de Viana do Castelo em junho de 2015. Na ocasião, o executivo justificou a decisão de certificar o traje com a necessidade de evitar a “confusão” e a “apropriação” do mesmo por outras regiões.

Em fevereiro de 2017, foi apresentado o Caderno de Especificações do Traje à Vianesa, “um instrumento onde estão definidas as características do Traje à Vianesa e listados, fundamentando, todos os parâmetros que pesaram para a sua certificação”.

Entre esses parâmetros constam um nome que identifique o produto e que, neste caso, terá derivações, referenciais histórico-geográficos que contextualizem a ocorrência e a continuidade da produção, a caracterização do produto desde a forma, dimensões, padrões, cores e desenhos predominantes), as matérias-primas utilizadas, modos de produção (técnicas, saberes, ferramentas e equipamentos).

O traje assume-se como um símbolo tradicional da região, nas suas várias formas, consoante a ocasião e o estatuto da mulher. Em linho e com várias cores características, onde sobressai o vermelho e o preto, foi utilizado até há cerca de 120 anos pelas raparigas das aldeias em redor da cidade de Viana do Castelo.

O desfile da Mordomia, que se realiza no primeiro dia Romaria da Agonia, que decorrem entre 17 a 20 de agosto, representa o momento em que os diferentes trajes das freguesias de Viana do Castelo se encontram e se mostram, de uma só vez, à cidade.

Estima-se em cerca de 14 milhões de euros o valor das centenas de quilos de peças de ouro usadas pelas mordomas naquele desfile, que anualmente dá cor à cidade com os vermelhos, verdes e amarelos dos típicos e garridos trajes das diferentes freguesias.

Não faltam no desfile também os fatos de noiva de cor preta. Neste número, algumas das mulheres chegam a carregar dezenas de quilos de ouro, reunindo as peças de famílias e amigos num único peito, simbolizando a “chieira” (termo minhoto que significa orgulho) e outrora o poder financeiro das famílias.

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