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Greve fecha unidade de saúde em Viana e surpreende utentes

O primeiro de dois dias de greve dos trabalhadores da saúde, com uma adesão a rondar os 80%, afetou hospitais e centros de saúde no Alto Minho. Em Viana do Castelo, a Unidade de Saúde Familiar (USF) Gil Eanes fechou portas e os utentes manifestaram-se hoje surpreendidos e indignados com o encerramento daquele que é o maior centro de saúde do distrito.

“Chego aqui e tenho as portas fechadas, é inadmissível”, afirmou Helena Lopes, enquanto, indignada, empurrava o carrinho onde transportava a filha de um ano.

Helena Lopes foi fazer o controlo do vírus que “atacou” a filha e deu com a porta da Unidade Saúde Familiar (USF) Gil Eanes, na frente ribeirinha de Viana do Castelo, fechada. No vidro estava afixado o aviso: “Greve dos trabalhadores da Saúde (2 e 3 de maio)”.

Questionada pela Lusa, disse que a alternativa era o hospital: “Tenho de a levar ao hospital, se atenderem”.

Manuel Lima reforçou a indignação de Helena Lopes. “Pelo menos os serviços mínimos deveriam estar abertos”, referiu, queixoso de uma infeção no pé.

“Primeiro fui a outro centro de saúde e disseram-me que tinha que vir ao meu centro de saúde. Chego aqui e está fechado”, disse, revoltado com o efeito da greve de que tinha ouvido “falar na rádio”, e que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (Sintap), atinge os 80% no distrito de Viana do Castelo. “Agora vou para casa e, se isto piorar, piorou”, acrescentou.

Carlos Lima “cansou-se” de ligar para a USF e decidiu meter os pés ao caminho para ver o que se passava. “A minha neta tinha consulta marcada, mas está fechado. Vou ter de aguardar e quando parar a greve voltar a marcar consulta”, afirmou resignado.

A cerca 1,5 quilómetros de distância, à porta da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM), onde mais de meia centena de trabalhadores do setor público da saúde participavam numa concentração, os utentes abordados pela Lusa disseram não ter notado os efeitos da paralisação.

Luís Barbosa, 62 anos, foi atendido no serviço de urgência para onde foi encaminhado pelo médico de família. “Esperei no máximo uma hora. Até foi mais rápido que nos outros dias”, adiantou o reformado que, tal como José Manuel Mesquita, de 67 anos, não “esperou muito” pela consulta de oftalmologia que tinha marcada para hoje de manhã.

“Há menos movimento de doentes, mas a mim a greve não me afetou nada”, afirmou, corroborado por Manuel Borlido. As análises clínicas que tinha marcadas foram feitas, “até mais rápido que das outras vezes”.

Menos sorte teve Magda Ferreira, de 35 anos, que não conseguiu tratar da cirurgia a que tem de ser submetida. “Não consegui fazer o que pretendia, mandaram-me voltar na próxima segunda-feira”, referiu, admitindo desconhecer da paralisação daqueles trabalhadores.

O dirigente do Sintap no distrito de Viana do Castelo, José Coutinho, garantiu hoje que a luta dos trabalhadores da saúde “não vai parar”, defendendo o “fim da precariedade” no setor.

“A luta não vai parar porque estamos a sentir-nos injustiçados e se não houver pressão nunca mais teremos o fim da precariedade na saúde”, afirmou o dirigente sindical.

José Coutinho, que falava durante uma concentração que juntou mais de meia centena de trabalhadores do setor público da saúde à porta da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (USAM) disse que a precariedade atinge cerca de 300 trabalhadores.

“São funcionários ligados há mais de 15 anos à ULSAM que não são funcionários públicos e fazem o mesmo trabalho e as mesmas coisas que os funcionários públicos”, frisou.

A ULSAM é constituída por dois hospitais, o de Santa Luzia em Viana do Castelo e o hospital Conde de Bertiandos, em Ponte de Lima. Integra ainda 13 centros de saúde, uma unidade de saúde pública e duas de convalescença, servindo uma população residente superior a 250 mil pessoas. No total, a ULSAM emprega mais de 2.500 profissionais, entre os quais 501 médicos e 892 enfermeiros.

Os trabalhadores do setor público da saúde iniciaram hoje às 00:00 uma greve nacional de dois dias, paralisação convocada pelo Sintap.

A greve abrange todos os trabalhadores da saúde, exceto médicos e enfermeiros, dos serviços tutelados pelo Ministério da Saúde, como hospitais ou centros de saúde.

O protesto pretende exigir a aplicação do regime de 35 horas de trabalho semanais para todos os trabalhadores, progressões na carreira e o pagamento de horas extraordinárias vencidas e não liquidadas.

O Sintap reivindica ainda a aplicação do subsistema de saúde ADSE (para funcionários públicos) a todos os trabalhadores e um acordo coletivo de trabalho para os trabalhadores com contrato individual de trabalho.

A paralisação nacional começou hoje às 00:00 e prolonga-se até às 24:00 de quinta-feira.

No dia 25 deste mês, trabalhadores do setor da saúde voltam a cumprir um dia de greve, uma paralisação marcada pelos sindicatos afetos à CGTP.

Já na próxima semana, são os sindicatos médicos que têm uma greve de três dias agendada, para dias 8, 9 e 10.

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