Os eleitos da CDU e do PSD entregaram esta segunda-feira os pedidos de renúncia de mandato, provocando eleições antecipadas para a junta de freguesia de Darque, em Viana do Castelo, depois de um impasse de sete meses na instalação do executivo liderado pelo Partido Socialista.
O PS venceu as eleições com 37,64% dos votos e formou equipa apenas com eleitos do seu próprio partido, mas a oposição não abdica de ter representação na autarquia e decidiu provocar eleições antecipadas. Para que a junta caia, era necessário que eleitos de duas forças políticas renunciassem ao mandato.
A renúncia aos cargos para o qual foram eleitos no passado dia 1 de outubro de 2017 foi comunicada em conferência de imprensa pelo cabeça de lista da CDU, Augusto Silva, e por Helena Marques, eleita pelo PSD.
Augusto Silva explicou que “o processo se arrasta” há sete meses “pelo facto do presidente da Junta de Freguesia, eleito pelo PS, força política que não teve a maioria nas eleições, ter decidido, unilateralmente, que os cincos elementos do executivo fossem socialistas”. Acrescentando que “o PS nunca manifestou abertura para algum entendimento”.
A oposição exige estar representada na Assembleia Municipal de Darque, onde a CDU obteve 28,09% da votação e o PSD 22,41%.
A cabeça de lista do PSD sublinhou que a decisão de renunciar ao mandato autárquico “não foi tomada de ânimo leve” e que a vontade dos dois partidos é “devolver a palavra ao povo de Darque”.
“Sempre defendemos um executivo pluripartidário onde estivessem representadas as forças políticas mais votadas”, frisou Helena Marques.
Em declarações à Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Darque, Fernando Garcês, afirmou que o PS “não tem medo de ir a votos”, apesar de sublinhar que o partido “tentou, até às últimas” o cenário de eleições antecipadas.
“O PS esteve sempre aberto a contactos e reuniões com o PSD. Em cinco elementos do executivo, o PS ofereceu dois vogais ao PSD. O PSD quer liderar o executivo sem ter obtido os votos necessários nas últimas eleições”, referiu.
Para o autarca socialista, “o PSD manifestou falta de vontade em encontrar uma solução” e acusou a CDU de “ter tomado atitudes que não são aconselháveis num órgão autárquico”.
O novo ato eleitoral deverá acontecer “dentro de três meses”.










