O programa Pegadas, realizado ao longo de três anos, envolveu cerca de 250 jovens, dos quais 158 participaram em nove expedições realizadas em território português e espanhol do Caminho de Santiago “um verdadeiro laboratório de competências”, foi divulgado.
Do número inicial de participantes no projeto, cuja conclusão foi hoje assinalada em Viana do Castelo, “mais de uma centena de jovens portugueses e espanhóis concluiu o percurso formativo”, sendo que, “paralelamente, foi criada uma plataforma ‘e-learning’ bilingue, atualmente com 240 participantes inscritos”.
Em declarações à agência Lusa, o coordenador do Pegadas, Jorge Garcia, explicou que o propósito do projeto foi “captar jovens entre os 18 e os 29 anos que não estudavam nem trabalhavam para adquirirem competências de empreendedorismo, criação e digitalização de negócios”.
Inicialmente o Pegadas foi pensado para jovens entre os 18 e os 29 anos, “mas, posteriormente, foi alargado a estudantes do ensino superior, ampliando o seu alcance e promovendo uma maior diversidade de perfis nos grupos”.
A formação ministrada combinou “formação presencial, aprendizagem ‘online’ e experiências ‘outdoor’.
Segundo Jorge Garcia a “metodologia inovadora transfronteiriça” aplicada neste projeto começou com “a identificação das necessidades dos jovens, os conteúdos mais adequados e de que forma podiam ser postos em prática num caminho cultural como é o Caminho de Santiago”.
“Através deste modelo híbrido, adquiriram competências e fizeram ‘networking’ com outros jovens de Espanha. Este método pode ser replicado em qualquer zona transfronteiriça, em qualquer Interreg que é o programa financiador do projeto.
Durante “o período de execução, entre 2023 e 2026, o projeto implementou um itinerário formativo composto por etapas em território português e espanhol e promoveu mais de 20 atividades de aprendizagem ‘outdoor’.
“Trabalho em equipa, resolução de problemas reais, capacidade de adaptação e autonomia foram competências trabalhadas em contexto prático, alinhadas com as exigências atuais do mercado de trabalho”, referiu.
A vice-presidente do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC”, Ana Paula Vale, afirmou que os números do Pegadas “reforçam o seu impacto, uma vez que mais de 76% dos inscritos encontram-se atualmente empregados ou a estudar”.
“Cerca de um quarto eram desempregados, no momento da inscrição no projeto. A maioria escolheu o Caminho Central, ficando em aberto a possibilidade de potenciar outras rotas, como o Caminho da Costa, em futuras edições”, especificou.
Durante a sessão de apresentação das conclusões, foram ouvidos testemunhos de alguns dos participantes, como Maria Carolina Silva, disse que a experiência “mudou completamente” a sua perspetiva sobre o Caminho: “Percebi que podia ser um espaço de crescimento e não apenas uma rota histórica”.
Já Ekaterina Minenko e Artem Kolesmikov, dois jovens russos a estudar em Portugal, referiram que o projeto foi “uma oportunidade de conhecer melhor o país e, ao mesmo tempo, desenvolver competências linguísticas e profissionais”.
Na experiência participaram também estudantes como Lara Lopes e Francisca Oliveira, da Escola Superior de Ciências Empresariais do IPVC, que destacaram o caráter desafiante da iniciativa. “Foi uma aventura que nos obrigou a sair da zona de conforto”, afirmou Lara. Francisca sublinhou “a diversidade dos grupos e a riqueza de aprender em contexto real”.
A iniciativa, cofinanciada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional no âmbito do Programa Interreg VI-A Espanha – Portugal 2021-2027, foi desenvolvida por um consórcio de instituições de ensino superior e entidades parceiras de ambos os países, entre as quais a unidade de investigação ADiT-Lab do IPVC, Instituto Politécnico do Porto, Comunidade Intermunicipal (CIM) Alto Minho, Universidade de Santiago de Compostela, e o ‘cluster’ da Comunicação de Galiza.
Fotografia: IPVC










