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Arcos de Valdevez pede “justiça” com anúncio de construção de ligação à Galiza

O presidente da Câmara de Arcos de Valdevez pediu hoje ao primeiro-ministro que “faça justiça” à população dos municípios do Vale do Lima, que há anos reclama a requalificação de estrada que liga o Alto Minho à Galiza.

“Havendo vontade dos dois lados da fronteira, bem expressa no apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), quer da Junta da Galiza, nada melhor do que, na sexta-feira, fazerem justiça à população de um lado e de outro da fronteira, que há anos reivindica esta ligação e, anunciarem a sua construção”, afirmou João Manuel Esteves.

Em declarações à agência Lusa, o autarca social-democrata disse que o anúncio da requalificação da estrada que liga o Itinerário Complementar 28 (IC28) à fronteira da Madalena e a Ourense, na Galiza, “é fazer justiça à população, desencravando uma das fronteiras que continua a ser das mais movimentadas da eurorregião Norte de Portugal/Galiza”.

“Só espero ouvir: ‘a estrada vai ser feita, está aqui o dinheiro e vai avançar com brevidade. Para o ano vamos começar a obra.’ Isso é que gostava de ouvir da boca deles [dos chefes dos Governos de Portugal e Espanha]”, atirou João Manuel Esteves.

Em causa está e estrada que liga o Itinerário Complementar 28 (IC28) à fronteira da Madalena e a Ourense, na Galiza, com uma extensão de cerca de 60 quilómetros.

A beneficiação do troço português daquela via, com cerca de 30 quilómetros, está estimada em 15 milhões de euros e é reivindicada há mais de uma década. Construída nos anos 80, e por onde passam, por dia, mais de quatro mil viaturas, a estrada é muito sinuosa e perigosa.

Em agosto, os autarcas de quatro municípios do Vale do Lima, a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho e 14 autarcas da Galiza, bem como o representante da província de Ourense, subscreveram um manifesto missiva a exigir aos governos a concretização daquela obra “com brevidade, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência ou através de instrumentos de financiamento no contexto da cooperação transfronteiriça”.

O documento foi enviado ao primeiro-ministro de Portugal, António Costa, e ao presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, mas ainda não resposta.

“Realizando-se a Cimeira Ibérica no distrito de Viana do Castelo, esta é uma prioridade a anunciar para criar atratividade e competitividade no território. Espero que digam algo à população, porque até agora ninguém disse nada sobre o assunto. Esperamos que, na sexta-feira, haja uma resposta a essa carta”, disse João Manuel Esteves.

O autarca social-democrata adiantou que hoje vai estar no jantar – debate da SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social – Viana do Castelo: Ciclo de Debates “Pensar com…” que contra com a presença do primeiro-ministro e que vai aproveitar a oportunidade para falar do assunto a António Costa.

A requalificação da estrada que liga o Itinerário Complementar 28 (IC28) à fronteira da Madalena e a Ourense, na Galiza, eurorregião com cerca de 376 mil habitantes, é uma das 25 medidas, distribuídas por cinco eixos propostos pela CIM do Alto Minho, que integra os 10 concelhos do distrito de Viana do Castelo e pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) Rio Minho, para a agenda da reunião entre os governos de Portugal e Espanha, que decorre, na sexta-feira, na capital do Alto Minho.

Em outubro, à Lusa, o presidente da CIM do Alto Minho, Manoel Batista disse que a conetividade rodoviária à Galiza é o “grande desígnio” que a eurorregião quer ver na agenda da Cimeira Ibérica.

“Para o Alto Minho, esta cimeira tem de ser clara relativamente àquilo que é uma urgência no território que é a requalificação da conectividade rodoviária. Esse é o ponto. A necessidade de requalificação na área do Lima (…) e uma nova ponte na zona do Minho são urgentes, e são urgentes para os territórios de um lado e de outro da fronteira. Esse é o grande desígnio”, afirmou, na altura, o socialista Manoel Batista.

As propostas da CIM do Alto Minho e do AECT Rio Minho “foram enviadas, atempadamente, para o primeiro-ministro, António Costa, ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, Secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional, ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e para o presidente da CCDR-N, António Cunha”.