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Comédias do Minho apresentam espetáculo de teatro Elipse de 26 de novembro a 10 de dezembro

Com percurso firmado na área do cinema, André Martins aceitou o convite das Comédias do Minho para criar um projeto ambicioso, onde as linguagens teatral e cinematográfica se combinassem. O projeto Elipse, que ao longo de um ano de maturação criativa e iterativa resultou na realização de 3 curtas-metragens, entra na sua fase final.

Até 10 de dezembro, o espetáculo de teatro Elipse é apresentado em Paredes de Coura, Valença, Melgaço, Vila Nova de Cerveira e Monção. Em 2022, será exibida uma longa-metragem, nascida do mesmo processo criativo e a entrar, agora, em fase de montagem. 

Elipse é, no imaginário do criador, o nome de uma comunidade criada por Alberto Caeiro no norte de Portugal, em 1910. Secreta e isolada, forjou a sua cultura a partir da rejeição da transcendência proposta pelas religiões. Em Elipse, vive-se o ateísmo e o quotidiano é um laboratório ritualístico para os mistérios da vida. Os habitantes de Elipse cultivam ativamente o espanto, a dissolução da identidade e a imanência. 

O espetáculo conta a história de uma conferência de antropologia onde um investigador apresenta as descobertas que fez em Elipse e mostra as suas recolhas videográficas. No entanto, os rituais de dissolução da identidade que experimentou em Elipse deixaram o antropólogo alterado.

Em palco, um colega tenta impedir a comunicação do investigador e um censor observa atentamente o que se passa. O regime político de Portugal sofreu recentemente uma viragem à direita e as mudanças estão ainda muito próximas.

À conferência, junta-se uma nativa de Elipse, que vem demonstrar o poder dos seus rituais com máscaras. À medida que as tensões vão escalando entre as personagens, as suas ‘máscaras sociais’ vão caindo e a conferência de apresentação de Elipse à comunidade científica torna-se, afinal, numa “desconferência” onde as personagens se revelam verdadeiramente ao público.