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Marcada para 6ª feira reunião em Viana do Castelo para discutir abate de árvores

A reunião extraordinária da Câmara de Viana do Castelo hoje pedida pelos vereadores do PSD e CDU para discutir o abate de 20 árvores previsto na empreitada dos acessos ao porto de mar vai decorrer na sexta-feira.

De acordo com o edital que convoca a sessão, a que a agência Lusa teve hoje acesso, a reunião camarária está marcada para as 15:00, nos antigos Paços do Concelho, na Praça da República.

A ordem de ordem de trabalhos da sessão convocada pelo presidente socialista José Maria Costa inclui, além de “esclarecimentos sobre o abate de 20 plátanos na alameda do Cabedelo, na freguesia de Darque, um primeiro ponto relativo à criação da área de Paisagem Protegida Regional da Serra d’Arga.

Os vereadores do PSD e da CDU na Câmara de Viana do Castelo requereram hoje a realização daquela sessão na sequência do embargo extrajudicial movido, na segunda-feira, por moradores do Cabedelo que contestam o abate de cerca de duas dezenas das 170 árvores (plátanos) existentes naquela artéria. A Lusa tentou uma reação da Câmara de Viana do Castelo, mas sem sucesso.

Em causa está a construção, iniciada em fevereiro de 2019, de uma rodovia com 8,8 quilómetros que ligará o porto comercial ao nó da Autoestrada 28 (A28) em São Romão de Neiva, permitindo retirar os veículos pesados do interior de vias urbanas.

Os novos acessos, reivindicados há mais de quatro décadas, terão duas faixas de rodagem de 3,5 metros de largura.

O corte daqueles exemplares está previsto no traçado que inclui a construção de uma rotunda de acesso ao porto de mar da cidade, que deveria ter sido iniciada na segunda-feira.

Contactada hoje pela agência Lusa, a vereadora social-democrata Cristina Veiga explicou que o objetivo daquela sessão, é o de permitir “esclarecer aspetos do projeto que não são claros”.

“O presidente já disse que foi tudo transparente, aprovado em reunião de câmara e da assembleia municipal, mas há aspetos que não foram esclarecidos. A nossa perspetiva foi sempre a de aprovar uma obra que é essencial, em termos futuros, para a economia local. O que nunca foi muito claro, na nossa perspetiva, e foi uma grande surpresa, é este abate que não é mencionado em documento nenhum”, explicou a vereadora que partilha com Hermenegildo Costa a bancada do PSD na autarquia.

Segundo Cristina Veiga, o PSD “nunca teve acesso a nenhum estudo de impacto ambiental”, apesar de admitir que “a questão do abate dos plátanos esteve implícita, mas devia ter sido valorizada”.

“A forma como o processo foi conduzido não foi clara. Seguiram-se os passos, mas houve falhas e tanto houve que agora culmina nesta situação da população estar contra o abate dos 20 plátanos. Não vamos abater arvores que são centenárias. Têm a sua importância como património ambiental. Há fatores que têm de ser considerados e que não foram”, reforçou.

Já a única vereadora da CDU, Cláudia Marinho, sublinhou que o partido “não é contra a construção dos acessos ao porto de mar”, sendo “um dos objetivos do seu plano de atividade”, mas referiu que “desde início do projeto o partido tem apontado alternativas que nunca foram tidas em conta pela maioria socialista no executivo”.

Cláudia Marinho acrescentou que, “em 2008, no início do projeto, a CDU apresentou soluções, não só relativas a esta situação, e que não foram tidas em conta”.

“Na segunda revisão do projeto, que esteve em discussão pública há mais de dois anos, não foi referido, em concreto, este abate. Não estou a dizer que esta situação não estivesse prevista no projeto, mas não foi clara, nem nunca foi referida. Achamos que era de todo o interesse que isto tivesse sido dito e não escondido”, frisou.

Para a vereadora comunista, ainda há tempo para “contornar” o traçado contestado pela população.

“Basta querer, basta ouvir todos os intervenientes. Pelo que sei a associação de moradores do Cabedelo não foi ouvida. A Junta de Freguesia de Darque deu sugestões, na altura em que tinha de as dar, mas nunca foram acatadas. É um facto recorrente porque o executivo tem a maioria e muitas vezes não aceita as alternativas e sugestões”, reforçou.

A obra é financiada pela Câmara de Viana do Castelo e pela Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL).