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Canil do Alto Minho com cerca de 300 animais em lista de espera para acolhimento

O canil intermunicipal do Alto Minho registou, no último ano, uma “diminuição considerável” na capacidade de alojamento de animais errantes, estimando-se em cerca de 300 os animais em lista de espera, informou hoje a entidade que o gere.

Mais de um ano após a entrada em vigor da lei que impede o abate de animais, e em resposta escrita a um pedido de esclarecimento enviado pela agência Lusa, a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho, que gere o canil, referiu que “o número de animais alojados permanece idêntico em termos médios anuais, uma vez que canil tem funcionado, regra geral, no limiar da capacidade de carga, isto é, entre 90 a 100 cães”.

“Como é natural, decorrente da aplicação da atual lei, a capacidade de alojamento de animais errantes diminuiu consideravelmente, sendo que a atual lista de espera para acolhimento é três vezes superior à capacidade instalada”, frisou a associação que agrega os dez municípios do distrito de Viana do Castelo e que tem sede em Ponte de Lima.

O canil intermunicipal do Alto Minho, também instalado em Ponte de Lima, funciona desde dezembro de 2008, num investimento superior a 370 mil euros.

Além dos 10 concelhos do Alto Minho, (Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira), a estrutura serve ainda o município de Esposende, no distrito de Braga.

Para minimizar o impacto da proibição do abate de animais, a CIM do Alto Minho disse ter “reforçado os meios para promoção da adoção, através de uma plataforma digital” e adiantou ter “modernizado e apetrechado a sala de cirurgia e de recobro para realização das esterilizações nas instalações do canil intermunicipal”.

Segundo a CIM do Alto Minho, “os custos associados à manutenção e melhoria das condições de alguns espaços técnicos do canil, como a sala de cirurgia, de receção e de visitas, ascendem a cerca de 10 mil euros”.

“A realização de campanhas de esterilização e a candidatura aos apoios às esterilizações da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), quer do Canil, quer dos municípios individualmente e a promoção de ações de sensibilização, com um público alvo preferencial das escolas do ensino básico (a escola ao canil, visitas do canil às escolas)”, são outras das medidas apontadas.

Segundo a CIM do Alto Minho, os custos de funcionamento do canil, permanecem “idênticos” aos registados antes da entrada em vigor da lei que impede o abate de animais, rondando “os 80 mil euros anuais”.

Contactada pela agência Lusa, a associação Villa Animal, fundada há nove anos em Viana do Castelo, referiu “não existirem cães abandonados na cidade de Viana do Castelo graças à ação direta e imediata da associação”.

“É a associação e os seus voluntários que recolhem e acolhem os animais, promovendo ainda a sua adoção. Mal somos informados da existência de um animal a vaguear pela rua, atuamos. Em muitos casos, são as próprias autarquias e os forças de socorro e de segurança a acionar os nossos meios”, reforçou.

Maria José Barreiros contestou a lei que impede o abate nos canis por ter “entupido” aquelas estruturas de animais “velhos e doentes, deixando ao abandono outros, mais novos, que depois de tratados teriam outra oportunidade com a adoção”.

Defendeu a criação de alternativas, “como a construção de mais canis, ou, em último recurso o abate seletivo de animais velhos e doentes, sem possibilidade de cura, como forma de aliviar o acolhimento nos canis”.

Maria José Barreiros apontou ainda um “aumento significativo de animais abandonados nas aldeias mais afastadas da sede do concelho, do número de animais atropelados nas estradas e autoestradas que servem o distrito”, mas admitiu não poder quantificar.

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