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Desportivo de Monção contesta custo de inscrições com providência cautelar contra FPF

O Desportivo de Monção interpôs uma providência cautelar contra a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) por considerar “absurdo” o valor cobrado ao clube raiano pela inscrição de jogadores da Galiza no campeonato distrital em que milita.

“Sentimos uma revolta muito grande. Querem acabar com o futebol amador. Exigir a um clube amador que pague 1.065 euros pela inscrição de um jogador é não ter a noção da realidade. É muito dinheiro”, afirmou hoje o presidente do Desportivo de Monção, Avelino Afonso, em declarações à agência Lusa, contrapondo este montante com os 37 euros cobrados por um futebolista português.

Segundo aquele responsável, a providência cautelar deu entrada, a 27 de agosto, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga (TAFB) e visa ainda a Associação de Futebol (AF) de Viana do Castelo.

O clube, que em março de 2019 completa 86 anos de existência, disputa o campeonato distrital da I divisão da AF de Viana do Castelo. O plantel para a época 108/2019 integra três jogadores de Salvaterra do Miño, na Galiza, sendo que um transita da temporada passada.

Avelino Afonso realçou que para os clubes dos concelhos raianos do distrito de Viana do Castelo “é muito mais fácil conseguir jogadores da vizinha Galiza do que de outros municípios do Alto Minho ou até do distrito vizinho de Braga”.

“Os atletas galegos só têm de atravessar a ponte que liga Monção a Salvaterra para virem jogar. São pouco mais de 500 metros que nos separam. Os clubes que têm receitas astronómicas podem pagar estes valores exorbitantes, mas clubes amadores não conseguem. Acho uma injustiça”, reforçou.

O dirigente referiu que a FPF justifica aquele montante com a “necessidade de salvaguardar os jogadores nacionais”.

“Acho ridícula essa desculpa até porque os jogadores portugueses que vão jogar para Espanha, quando regressam, se quiserem competir nos campeonatos nacionais, também têm de pagar 1.065 euros para jogar no seu próprio país. Isto é um ‘el dourado’ para a FPF. É fazer as contas ao dinheiro que entra nos cofres da federação, se contabilizarmos o intercâmbio de jogadores em toda a raia entre Portugal e Espanha, desde Melgaço a Vila Real de Santo António”, adiantou.

O responsável garantiu que vai lutar “até às últimas consequências” contra o que classificou de “enorme injustiça”.

A Lusa enviou pedido de esclarecimento escrito à FPF mas ainda não obteve resposta.

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