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Casa do Conhecimento de Ponte da Barca recebeu El Sayed, figura de destaque no universo do Hip Hop

Na noite da passada sexta-feira, a Casa do Conhecimento de Ponte da Barca recebeu El Sayed, uma figura de destaque no universo do Hip Hop.

El Sayed começou por falar da sua missão pessoal: oferecer ao público aquilo em que acredita, especialmente no campo da espiritualidade, sublinhando a ideia de que, ao mudarmos a nossa natureza, temos a oportunidade de renascer, um conceito que se reflete profundamente naquilo que faz na música.

O artista abordou temas complexos como o racismo, dada a sua origem, mencionando episódios difíceis como os ocorridos após o 11 de setembro. El Sayed enfatizou a importância do perdão, explicando que muitas pessoas agem por medo e ignorância.

“Hoje em dia, vivemos muito isso”, afirmou, referindo-se à prevalência contínua de preconceitos.

Conhecido como “a Lenda das Batalhas de Rimas” em Portugal, El Sayed relembrou uma batalha memorável em Angola, descrevendo como se preparou para a cultura local, utilizando termos locais e temas históricos para criar uma conexão genuína com o público.

Destacando a reflexão crítica que o género pode oferecer sobre a fé, El Sayed falou sobre como a religião está intrinsecamente ligada ao seu trabalho: “o que tento fazer é tornar físico algo espiritual”, explicou. Para ele, a música é uma forma de transportar as pessoas para um ambiente diferente, destacando que “estamos aqui de passagem”.

El Sayed reconheceu que a sua mensagem pode não ser a tradicional do Hip Hop, mas insiste em ser autêntico. “A religião é uma porta. Se a religião não muda o caráter de uma pessoa, não serve para nada”, declarou. A sua música, segundo ele, dá ao ouvinte “um novo par de ouvidos”.

Durante a sessão, El Sayed discutiu ainda como o Hip Hop, embora esteja mais industrializado, tem sido uma ferramenta poderosa para desafiar estereótipos, uma força e uma expressão de arte que pode educar, inspirar e mobilizar comunidades a lutar por mudanças significativas.

Mais do que entretenimento, vê o Hip Hop como um catalisador para a reflexão e a ação, reafirmando o papel vital do humanismo e a empatia, que muitas vezes estão em falta no mundo de hoje.