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“Igreja tem que agir sempre que existe ato sexual entre um menor e um clérigo”

“A Igreja tem que agir sempre que existe um ato sexual entre um menor e um clérigo, seja com ou sem consentimento”. A frase é do padre João Basto, responsável pela comunicação social da Diocese de Viana do Castelo, questionado hoje pela Altominho TV sobre as declarações do jovem de 17 anos que alegadamente teria sido vítima de abusos sexuais praticados pelo padre André Gonçalves, de 40 anos.

Ontem, em declarações à Altominho TV, o jovem frisou que manteve uma relação com o padre de Monção em dezembro de 2022, mas com “total consentimento das duas partes”.

“A Diocese não recebeu outras declarações além das que prestaram [na sexta-feira]. Não recebemos nenhum comunicado, nem lemos as declarações”, afirma João Basto, reforçando que “este tipo de delitos” abrange todos os menores, independentemente “de serem ou não consentidos”.

“O que interessa aqui é a lei canónica. Nós enviámos as informações para o Ministério Público, agora as autoridades competentes é que têm de averiguar”, conclui o responsável.

Entretanto, o bispo de Viana do Castelo pediu ontem desculpa pelo caso do padre André Gonçalves, que exerce sacerdócio desde 2007, afirmando ser com “dor e sofrimento” que experimenta esta realidade na sua diocese.

Bispo João Lavrador e João Basto, responsável pela comunicação da Diocese de Viana 

Segundo João Lavrador, o padre “assumiu imediatamente o problema”, tomando a decisão de se afastar de todas as funções, o que “facilitou o processo”.

“Espero que ele até já esteja fora das paróquias”, declarou, adiantando que espera mandar nos próximos dias “uma carta aos paroquianos que ele serviu”, para pedir “desculpa e perdão” pela “preocupação muito grande de verem que afinal alguém que esteve à sua frente os enganou”.