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Valença congratula-se com financiamento do Estado para obras da Fortaleza 

O presidente da Câmara de Valença manifestou-se hoje “muito satisfeito” com o anúncio do financiamento integral, pelo Estado, das obras de recuperação da muralha da Fortaleza, e agradeceu a “prontidão” da resposta do Governo.

“A senhora ministra da Coesão sempre nos disse, pelo menos a partir dos dias seguintes à visita ao local, que o Governo iria apoiar financeiramente a reconstrução. Agora, com esta notícia que financia integralmente a reconstrução, obviamente que ficamos muito satisfeitos e agradecemos esta prontidão do Governo”, afirmou hoje à agência Lusa José Manuel Carpinteira.

Na sequência de esclarecimentos pedidos pela agência Lusa, fonte do Ministério da Coesão Territorial disse que a muralha, sendo património do Estado, será alvo de obras “integralmente financiadas pelo Estado”, tendo o município estimado, até ao momento, cerca de dois milhões de euros para a sua recuperação.

O autarca socialista da segunda cidade do distrito de Viana do Castelo adiantou estar “muito agradado” com o Governo por “assumir essa responsabilidade”.

“A senhora ministra já tinha dito que estava atenta e que iam disponibilizar financiamento, mas ainda não sabia exatamente que ia assumir integralmente. Fico muito satisfeito. Valeu a pena o nosso esforço”, frisou.

José Manuel Carpinteira adiantou que, na segunda-feira, terá em mãos o orçamento da intervenção de recuperação da muralha e da empreitada de consolidação dos solos da zona afetada com o temporal do dia 01 de janeiro, o que deverá acontecer até final mês.
“Só depois da consolidação dos solos poderemos avançar para a abertura do concurso público da recuperação da fortaleza”, acrescentou.

Duas zonas da muralha sofreram derrocadas no dia 1 de janeiro e outras partes daquela estrutura foram identificadas como estando em risco de derrocada, com diversas fissuras.

Segundo a tutela, as obras deverão visar a “reparação, estabilização e consolidação” do monumento.

Monumento classificado como Património Nacional desde 1928, a Fortaleza está sob a tutela do Ministério das Finanças.

A fortaleza do século XVII, principal ‘ex-líbris’ da cidade de Valença, é anualmente visitada por mais de dois milhões de pessoas.

O monumento nacional assume particular importância pela dimensão, com uma extensão de muralha de 5,5 quilómetros, e pela história, tendo sido, ao longo dos seus cerca de 700 anos, a terceira mais importante de Portugal.

No concelho, o levantamento dos estragos causados pelo mau tempo fixou em 3,5 milhões de euros, sem IVA, o montante necessário para reparar estradas, muros e condutas, entre outras infraestruturas.

Segundo José Manuel Carpinteira, “dos 3,5 milhões euros de prejuízos apurados, três milhões de euros são em infraestruturas e equipamentos municipais e 500 mil euros em bens de privados, sobretudo habitações”.

O Governo aprovou na quinta-feira em Conselho de Ministros uma resolução que reconhece que as cheias e inundações provocadas pela precipitação intensa e persistente ocorrida em dezembro de 2022 nas regiões Norte, Lisboa, Alentejo e Algarve, bem como em janeiro deste ano no Alto Minho, constituem “situações excecionais”.

De acordo com o executivo, o mau tempo causou prejuízos de 293 milhões de euros e o volume dos apoios a conceder ascende a cerca de 185 milhões de euros.