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Pescadores de Caminha e Viana e Governo vão negociar compensação por parque eólico

A associação que representa 49 pescadores de Caminha e Viana do Castelo informou hoje que o secretário de Estado das Pescas desloca-se ao Alto Minho na próxima semana para “negociar” uma “compensação” pela instalação de um parque eólico flutuante.

“O presidente da Câmara de Caminha, Miguel Alves, conseguiu esta janela de oportunidade, para uma negociação com 49 pescadores. Fomos informados que o senhor secretário de Estado das Pescas, José Apolinário vai deslocar-se ao Alto Minho para uma reunião ainda com data e hora por definir”, disse, hoje à agência Lusa, o presidente da Associação de Pesca Profissional de Pescadores do rio Minho e Mar.

Em causa está o Windfloat Atlantic (WFA), um projeto de uma central eólica ‘offshore’ (no mar), em Viana do Castelo, orçado em 125 milhões de euros, coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis, e que integra o parceiro tecnológico Principle Power, a Repsol, a capital de risco Portugal Ventures e a metalúrgica A. Silva Matos.

Segundo o presidente daquela associação, com sede em Caminha, “o secretário de Estado das Pescas mostrou-se sensível às preocupações dos 49 pescadores de embarcações locais excluídos do acordo da compensação de um milhão de euros que a Windplus, titular da Utilização do Espaço Marítimo Nacional, negociou com a associação de pescadores Vianapesca, para compensar os armadores potencialmente afetados pela instalação do WFA”.

“Destes 49 pescadores, 25 são de Caminha e Vila Praia de Âncora e os restantes 24 são de Castelo de Neiva e alguns de Viana do Castelo. Estes 49 pescadores são representados pela Associação de Pesca Profissional de Pescadores do rio Minho e Mar”, especificou Augusto Porto.

Questionado pela Lusa sobre eventuais formas de luta, caso não seja satisfeita a atribuição de uma compensação pelos prejuízos causados pela instalação de um cabo submarino que vai ligar o parque eólico flutuante à rede, instalada em Viana do Castelo, Augusto Porto não concretizou.

“Enquanto houver possibilidade de diálogo vamos esperar serenamente por um entendimento”, disse, escusando-se a reafirmar formas de luta já anteriormente avançadas, entre elas, o boicote à procissão ao mar da Romaria d’Agonia, dia 20 de agosto, ou à procissão naval em honra de Nossa Senhora da Ínsua e Nossa Senhora da Bonança, a 05 de setembro.

Na semana passada, em declarações aos jornalistas no final de uma reunião promovida pelo presidente da Câmara de Viana do Castelo, Augusto Porto explicou que “a implantação” do parque eólico flutuante “afeta mais de 10% da área de pesca das embarcações locais”.

“Sentimo-nos completamente postos de parte quando nenhum euro é chamado às nossas comunidades e vemos 16 barcos que foram afetados em milésimas da sua área de pesca a serem compensados com um milhão de euros”, especificou Augusto Porto. 

Na altura, Augusto Porto disse ter sido feita “uma proposta de compensação aos pescadores de embarcações locais entre os 150 a 200 mil euros”. “Queremos ser tratados com dignidade, como pessoas que descontam e sofrem muito para trazer sustento para terra”, referiu, adiantando que os pescadores de embarcações locais “estão dispostos a ir até às últimas consequências” para serem “justamente” compensados.

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