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Teatro do Noroeste estreia “Rottweiler” em Viana do Castelo e lança reflexão sobre verdade e mentira

O Teatro do Noroeste estreia no dia 27, em Viana do Castelo, a sua mais recente produção, baseada num texto de Guillermo Heras que pretende pôr o público a refletir sobre a verdade e a mentira na sociedade atual.

“É um texto muito cru, violento, polémico e que põe o dedo em algumas feridas que, acreditamos, farão o espectador questionar-se acerca do que vemos, ouvimos, lemos, e sobretudo colocará a dúvida sobre uma questão muito importante: Em que podemos acreditar neste mundo digitalizado e mediatizado quando ouvimos, lemos ou vemos uma notícia?”, disse à Lusa o diretor artístico do Teatro do Noroeste, Ricardo Simões.

O encenador de “Rottweiler”, inspirada no texto de Guillermo Heras escrito em 2006, explicou que, a propósito do fenómeno “cada vez mais atual” das ‘fake news’, a peça “propõe um jogo cénico que pretende levar as pessoas a pensarem a forma como são feitas as notícias”.

“A distância que vai entre o que acontece num estúdio de televisão e o que vemos em casa. O que é que tecnologia permite fazer a esse respeito. Queremos por isso tudo a nu, num espetáculo de teatro, à frente do espectador, ao vivo. Fazer com que o espectador se envolva no jogo e que perceba o jogo que está a acontecer, de manipulação informativa e de sensacionalismo”, reforçou.

Para Ricardo Simões, há pertinência em levar à cena um texto “extraordinário”, escrito há mais de uma década por Guillermo Heras, “premonitório do tempo” da sociedade atual.

Em palco, um jornalista entrevista um ‘skin-head’, interpretados pelos atores Tiago Fernandes e Alexandre Calçada, acerca das “ideias de uma personagem polémica, nazi, racista, xenófobo, homofóbico”.

“Esta personagem está em ‘prime-time’, em direto, a fazer apologia de ideologias intolerantes e, o que pretendemos que as pessoas percebam como isso tudo é embrulhado, empacotado e enviado para [sua] casa”, referiu.

“Já me perguntaram se é um espetáculo violento. Eventualmente. Há uma fala da peça, em que a personagem Rottweiler pergunta: Mas afinal que é a violência? É um bom mote para nos questionarmos”, realçou.

Para Ricardo Simões, a 139.ª criação da companhia de Viana do Castelo retrata a realidade atual, “num espetáculo que não pretende ser bonito, não pretende entreter, não pretende divertir”. “Pretende ser apenas teatro, com tudo o que isso possa significar”, referiu. “Temos atentados transmitidos em direto de formas impensáveis até há bem pouco tempo. Obviamente que o teatro é afetado por todos esses fenómenos”, realçou.

A peça “Rottweiler” estreia-se no Dia Mundial do Teatro, às 21h30, e vai permanecer em cena no Teatro Municipal Sá de Miranda até 13 de abril.

O espetáculo entrará depois em digressão por várias cidades portuguesas e espanholas. Em maio, no âmbito do Circuito Ibérico de Artes Cénicas, vai ser representado em Sevilha, Saragoça, Badajoz e Cáceres.

A partir de maio será apresentado no Theatro Circo, em Braga, no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra, e no Teatro Municipal Garcia de Resende, em Évora. Estão ainda previstas representações no Porto, em Lisboa e no Rio de Janeiro, no Brasil.

Fonte: Lusa

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