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Viana quer ser “cada vez mais cosmopolita” e responsável no acolhimento de migrantes

O presidente da Câmara de Viana do Castelo afirmou hoje que a cidade quer ser “cada vez mais cosmopolita” e garantiu “responsabilidade” no acolhimento de migrantes para evitar “situações de pobreza e discriminação”.

“Está provado cientificamente que as cidades com maior diversidade cultural e étnica são as mais criativas, abertas e Viana do Castelo está a assumir isso. Queremos fazê-lo de uma forma responsável, acima de tudo recebendo bem, evitando situações de pobreza e discriminação, qualquer que ela seja”, frisou José Maria Costa a propósito da apresentação do Plano Municipal para a Integração dos Migrantes (PMIM) 2018-2020.

O autarca, que falava em conferência de imprensa para apresentação daquele documento, apontou os dados do Instituto Nacional de Estatística de 2016 para dizer que, “no concelho, a comunidade migrante representa cerca de 1,3% da população residente, 1.114 cidadãos entre 85.445 habitantes”.

Das 63 nacionalidades de migrantes que residem no concelho, destacou como “as cinco comunidades mais representativas a brasileira (24,2%), a espanhola (13,7%), a ucraniana (8,7%), a francesa (8,4%) e a chinesa (7,1%)”.

“Presumo que agora estes valores estejam desatualizados e que tenhamos também uma forte presença da comunidade búlgara e romena. Só nos estaleiros navais da West Sea há trabalhadores de 17 nacionalidades diferentes”, afirmou José Maria Costa.

O autarca referiu que o concelho “já tem uma comunidade de migrantes muito alargada em muitas áreas, das mais qualificadas às menos qualificadas”, fruto “das condições de empregabilidade e da necessidade de recursos humanos”, garantindo que o “número de estrangeiros irá crescer, cada vez mais”. “Daí a necessidade de termos plano de apoio para acolher bem, criando as condições básicas que gostaríamos de ter se fossemos para fora”, referiu.

Para o autarca, este plano reflete a “preocupação que o município tem com a integração e valorização das diferentes culturas”.

O PMIM hoje apresentado pela vereadora da Coesão Social, Carlota Borges, integra 13 áreas de intervenção e 58 medidas. As atividades previstas no plano municipal pretendem contribuir para “o desenvolvimento dos cidadãos, desde o emprego, juventude, voluntariado, à saúde, segurança, entre outros”.

O plano centra-se nas áreas “Acolhimento e Integração”, “Mercado de Trabalho e Empreendedorismo”, “Cultura”, “Cidadania e Participação Cívica”, por se considerar que são as que mais contribuem para o fomento da coesão social, do diálogo intercultural e do sentimento de pertença, essenciais para garantir a dignidade humana e fundamentais para a concretização efetiva das políticas de acolhimento e integração dos cidadãos Nascidos em Países Terceiros (NPT).

Carlota Borges explicou que o plano foi desenvolvido “com a ajuda de um leque muito alargado de parceiros”, destacando a Caritas Diocesana, a Escola Superior de Saúde (ESS) e a Escola Desportiva de Viana (EDV).

Entre as medidas “prioritárias” daquele plano, a vereadora da Coesão Social destacou “as aulas de português, ministradas por voluntários, entre eles professores reformados, a três turmas, com 30 alunos cada”. “A língua é uma das grandes dificuldades que se colocam a uma integração mais rápida, senão a maior dificuldade, daí a importância destas aulas”, disse Carlota Borges.

A responsável apontou ainda “as aulas de desporto, a ajuda na procura de emprego, de habitação, o acesso à saúde e a apoios sociais”.

“Queremos, acima de tudo, que estas pessoas se sintam em casa. Não estão, mas estão a ser recebidas pelos vianenses e por Viana do Castelo com muito amor”, disse a vereadora no encontro com os jornalistas onde marcaram presença duas das três jovens que dão a cara a uma campanha que a autarquia lançou a propósito do Dia Internacional da Tolerância, que se comemora na sexta-feira. Num dos acessos à cidade foi colocado um ‘outdoor’ gigante, com a mensagem “Viana acolhe com amor” e que retrata três mulheres imigrantes.

Ghalia Barazi, com 22 anos, da Síria, vive em Viana do Castelo há quatro anos e meio e estuda Arquitetura na UBI – Universidade da Beira Interior. Outro dos rostos do cartaz é Sadkshya Sharma, de 23 anos, do Nepal, que vive em Viana do Castelo há 14 meses e trabalha na área da restauração. Gizielda D’Alva, natural de São Tomé e Príncipe, vive na capital do Alto Minho há um ano e frequenta um curso profissional.

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