Viana lamenta morte de fotógrafo que imortalizou a emigração portuguesa em França

A Câmara Municipal de Viana do Castelo lamentou hoje a morte, aos 92 anos, do fotógrafo Gérald Bloncourt, galardoado pela autarquia em 2017 com o título de Cidadão do Honra da capital do Alto Minho.

O fotógrafo morreu na segunda-feira, sendo que o funeral está previsto para segunda-feira, a partir das 14:30 locais (menos uma hora em Lisboa), no cemitério Père Lachaise, em Paris, em França.

Em comunicado, a Câmara de Viana do Castelo destacou hoje que, “em 2016, a biblioteca de Viana do Castelo expôs os trabalhos do artista, na exposição “Emigração Portuguesa para França na década de 60”, tendo-lhe atribuído o título de Cidadão de Honra a 20 de janeiro de 2017.

O fotojornalista retratou os “bidonville” portugueses, mas também fez imagens da viagem clandestina – “a salto” – para França, assim como imagens de Portugal sob a ditadura e no período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974.

Gérald Bloncourt foi condecorado com a ordem de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, durante as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que decorreram entre 10 e 12 de junho de 2016.

As suas fotografias integraram várias exposições em Portugal e França, nomeadamente no Museu Berardo, em Lisboa, em 2008, na mostra intitulada “Por uma vida melhor” e fazem parte dos arquivos da Cité nationale de l’histoire de l’immigration, em Paris, e do Museu das Migrações e das Comunidades de Fafe.

Gérald Bloncourt nasceu em 1926, no Haiti, de onde foi expulso no final da década de 1940 por razões políticas e passou a residir em Paris, onde iniciou uma carreira de fotojornalista que o levou ao encontro dos portugueses nos anos 60 nos bairros de lata dos subúrbios da capital francesa.

Com um arquivo de mais de 200 mil imagens, Bloncourt foi contactado apenas por um punhado de pessoas que se reconheceram nas fotografias, como Maria da Conceição Tina Melhorado, que foi ter com ele 47 anos depois de ter sido fotografada com uma boneca no “bidonville” (bairro de lata) de Saint-

Denis, uma imagem que foi o rosto da exposição “Por uma vida melhor”, no Museu Berardo.

A generosidade e o humanismo era uma das suas características e chegou a oferecer um espólio de cerca de 100 imagens ao Museu da Emigração de Fafe.

Gérald Bloncourt era também pintor e poeta, tendo participado na criação do Centro de Arte Haitiana (1944) e publicado vários livros.