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Cerca de 100 feirantes juntam-se em Viana do Castelo e apelam ao regresso das feiras

Cerca de uma centena de feirantes concentraram-se hoje em Viana do Castelo para apelar ao Governo que permita o regresso daquela atividade, parada há dois meses devido à pandemia de covid-19, causando o “desespero de muitas famílias”.

“Temos mesmo muito urgência em voltar a trabalhar, em reorganizar as nossas vidas e, principalmente, de sair desta indefinição. Saber quando há diretivas do Governo que nos inclua em alguma fase do desconfinamento”, afirmou hoje à agência Lusa, Isabel Lopes.

A ação, indeferida pela Câmara de Viana do Castelo devido ao estado de calamidade em que o país se encontra, começou cerca das 09:30, inicialmente com quatro feirantes, em representação dos vários setores de atividade.

A iniciativa, que durou cerca de uma hora, acabou por reunir cerca de uma centena de empresários, espalhados pelo Campo d’Agonia, no dia e local onde habitualmente se realiza a feira semanal do concelho com a presença de cerca de 200 feirantes, cerca de duas dezenas do concelho de Viana do Castelo, dos setores do calçado, vestuário, mobiliário, frutícola e hortícola.

Isabel Lopes, uma das organizadoras da iniciativa, explicou a “dimensão” que atingiu com o desespero do setor.

Não queríamos de forma alguma ter esta dimensão, porque não queremos perturbar a ordem pública, nem infringir o estado de calamidade vigente. O que precisamos mesmo muito é de fazer este apelo. Esta afluência, apesar de eu ter pedido para as pessoas não aparecerem porque não havia essa autorização, elas vieram na mesma. Isto reflete o estado de espírito em que estão por não verem datas, dados concretos e verem outras atividades a funcionar“, justificou.

Isabel Lopes disse ter conhecimento de “colegas que estão a passar dificuldades, sobretudo os que têm encargos com os filhos“.

“Estamos muito aflitos e a ficar numa situação muito preocupante. Eu e o meu marido trabalhamos há 32 anos nesta atividade. Não temos outra fonte de rendimentos. Não se consegue estar assim com o apoio que dão. Eu desconto para a Segurança Social, como colaborada do meu marido, mas só um é que recebe. Em março, recebemos pouco mais de 292 euros. É manifestamente pouco, referiu.

A empresária de Barroselas, em Viana do Castelo, explicou que o objetivo da iniciativa foi a de “juntar a voz” dos cerca de 200 feirantes que operam no Campo d’Agonia “à voz das associações do setor que têm vindo a dialogar com o Governo, no sentido de ser definido o reinício da atividade dos feirantes”.

“Temos todas as condições para trabalhar. Aqui em Viana do Castelo há muitos espaços vazios. Consegue-se garantir um distanciamento muito maior que o das prateleiras dos supermercados, onde muitas vezes as pessoas se cruzam com dificuldade em garantir um metro de segurança. Em Viana do Castelo estamos em vantagem, é um espaço grande, livre e aberto, que a nível de contágio não será onde as condições serão piores do que noutros espaços fechados”, frisou.

A feirante garantiu que o setor “cumprirá com tudo o que é exigido” pelas autoridades de saúde para prevenir a propagação do novo coronavírus.

“Como é que se faz no hipermercado, que vende camisolas, sapatos e a maçãs. A pessoa pega numa maçã, pousa e escolhe outra. Não foi lavada com sabão para destruir o vírus e pode estar contaminada também. Ninguém está lá, ninguém para controlar se a pessoa tocou ou não tocou. Nós temos consciência da gravidade deste vírus e da situação e queremos cumprir o mais escrupulosamente possível, porque é a nossa vida também que está em causa”, reforçou.

A ação terminou com um aplauso dos feirantes ainda presentes no Campo d’Agonia, após alguns terem desmobilizado a pedido dos organizadores.

A iniciativa incluiu ainda a participação de cerca de uma dezena de viaturas que circularam, durante alguns minutos, na envolvente daquela zona da cidade. A PSP marcou presença com agentes à civil que identificaram os organizadores daquela atividade.