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Deputado questiona secretária de Estado sobre dispositivo de combate a incêndios em Viana do Castelo

O deputado do PS José Manuel Carpinteira manifestou, esta quarta-feira, à Secretária de Estado da Proteção Civil algumas preocupações relativamente ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR 2020) no distrito de Viana do Castelo, questionando a prevista redução de meios aéreos, assim como a possível diminuição de meios humanos devido à pandemia.

Numa intervenção durante a audição da secretária de Estado Patrícia Gaspar na comissão de Agricultura e Mar, na Assembleia da República, o deputado eleito pelo círculo de Viana do Castelo começou por manifestar-se confiante em relação à “abordagem integrada da prevenção, vigilância e combate” dos incêndios florestais, considerando que o plano de ação apresentado pela governante aos deputados “é muito importante para reduzir a área ardida”.

José Manuel Carpinteira apontou, contudo, algumas dúvidas sobre o dispositivo previsto para o Alto Minho no que respeita à “redução dos meios aéreos, mediante a substituição de dois helicópteros ligeiros por um helicóptero médio“.

O deputado socialista justificou a sua apreensão considerando que “esta alteração pode não ser a mais adequada ao nível da eficácia, visto que uma das características das ocorrências nestes territórios de montanha é a de vários fogos em simultâneo”.

Se, por um lado, a existência de apenas um helicóptero reduz a capacidade de intervenção, por outro, a sua tipologia também não será a mais adequada quando comparável com os helicópteros ligeiros, uma vez que exigem mais tempo para o arranque e necessitam de espaços maiores para aterrar“, advertiu.

José Manuel Carpinteira chamou ainda a atenção para o facto de a intervenção dos meios terrestres em zonas montanhosas, como o território do Parque Nacional da Peneda-Gerês, ser “dificultada pelos acessos e pelo relevo”, pelo que considera que “os meios aéreos ligeiros permitiriam uma melhor resposta aos incêndios neste território”.

É preciso não deixar destruir as nossas Áreas Protegidas. Antes devemos criar uma maior resiliência do território”, defendeu, alertando que “esta alteração poderá condicionar a resposta do dispositivo distrital aos incêndios deste ano no território do Alto Minho“.

Recordando que, no contexto nacional, este distrito é o que tem o menor número bombeiros voluntários disponíveis para as muitas ocorrências, apesar de um ligeiro acréscimo este ano, o deputado alertou que a situação pandémica da COVID-19 “poderá limitar ainda mais a resposta aos incêndios florestais”, dado que este ano “existe uma grande acumulação da vegetação, o que aumentará o risco”.