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Câmara de Ponte de Lima recomenda suspensão imediata da faturação da Águas do Alto Minho

A Câmara de Ponte de Lima recomendou à Águas do Alto Minho (AdAM) a suspensão imediata da faturação e a melhoria do atendimento, face à “insatisfação” manifestada pelos consumidores nos quatro meses de funcionamento da empresa.

Em comunicado, a autarquia explica que a recomendação feita à empresa de gestão das redes de água em baixa e de saneamento resultou de uma proposta aprovada na segunda-feira, por unanimidade, pelo executivo municipal.

O documento, enviado ao ministro do Ambiente e da Transição Energética, aos acionistas e à Comissão de Parceria das Águas do Alto Minho, “recomenda a suspensão imediata de toda a faturação até serem corrigidos todos os erros e anomalias ocorridas de forma sistemática, bem como, a entrada em funcionamento efetivo e eficaz de um atendimento telefónico que dê uma resposta cabal às solicitações da população, num momento em que não se pode recorrer ao atendimento presencial”.

A AdAM é detida em 51% pela Águas de Portugal (AdP) e em 49% por sete municípios do distrito de Viana do Castelo – Arcos de Valdevez, Caminha, Paredes de Coura, Ponte de Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira – que compõem a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho.

A nova empresa começou a operar em janeiro, “dimensionada para fornecer mais de nove milhões de metros cúbicos de água potável, por ano, a cerca de 100 mil clientes, e para recolher e tratar mais de seis milhões de metros cúbicos de água residual, por ano, a cerca de 70 mil clientes”.

Na nota enviada hoje à imprensa, o executivo municipal de Ponte de Lima destaca que “um dos pressupostos fundamentais” que levou à constituição da AdAm foi “a garantia da qualidade do serviço prestado à população”.

“Foi percorrido o caminho necessário para que a sua entrada em funcionamento pudesse ocorrer sem grandes percalços, dando-se o tempo suficiente e a colaboração necessária e adequada para se alcançar essa maturidade. Acontece, no entanto, que quatro meses após a entrada em funcionamento da AdAM, existe uma série de insatisfações que lamentamos, e para as quais solicitamos uma intervenção urgente”, destaca.

A autarquia aponta que “as anomalias detetadas ao nível da faturação têm sido demasiado frequentes, para aquilo que seria neste momento admissível, atingindo um número significativo de consumidores e gerando um conjunto de incoerências que causam, por si só, indignação e insatisfação por parte dos mesmos relativamente ao serviço prestado”.

“Com o intuito de não continuar a gerar problemas a este nível, que incontornavelmente se irão acumular e obrigarão a um desperdício de energias e tempo na sua futura resolução, quer por parte dos munícipes quer por parte da própria AdAM, propomos que seja suspensa de imediato toda a faturação até esses erros serem cabalmente corrigidos, o mais urgentemente possível, devendo essa situação ser comunicada à população”, sublinha o município.

A Câmara de Ponte de Lima avisa que “a não tomada de uma posição firme relativamente a esta questão, pode trazer danos irreversíveis ao nível da confiança que os cidadãos depositam na nova empresa”.

“A baixa capacidade de resposta, ou mesmo a ausência de atendimento, através das várias linhas de contacto telefónico da AdAM que deveriam neste momento ser reforçadas, na medida em que será o meio de contacto privilegiado pelos munícipes na ausência do atendimento presencial, por força das atuais circunstâncias relacionadas com a Covid-19, constitui um problema sério”, refere ainda a autarquia.

A Câmara de Ponte de Lima “lamenta” não ter sido “acionada uma solução atempada e eficaz” ao atendimento online, considerando que, “neste momento há quase uma ausência de resposta às reclamações, solicitações para a celebração de contratos, comunicação de avarias, entre outras, a uma fatia considerável da população do Alto Minho, que torna toda a situação ainda mais grave e perturbadora”.

“Recomendamos que o mais brevemente possível seja encontrada uma forma de ultrapassar este problema e promover a comunicação eficaz e eficiente dos munícipes e das empresas com a AdAM, em prol da qualidade do serviço público que se pretende garantir”, conclui a autarquia.