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Bienal de Cerveira lamenta falta de apoios e teme pelo futuro das próximas edições

O presidente da Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC) lamentou hoje a ausência de apoios da Direção-Geral das Artes para 2020/2021, temendo um “futuro muito escuro” para a bienal mais antiga da Península Ibérica.

“É lamentável que a bienal tenha ficado, mais uma vez, fora dos apoios estatais para as artes. São resultados provisórios, ainda suscetíveis de reclamação, mas, a manterem-se, poderá estar em causa a subsistência a curto/médio prazo da Bienal de Cerveira.

Teoricamente, a bienal é muito apoiada quer pelo Governo quer pelas entidades regionais de Cultura, mas depois na prática é o que vemos. O que constatamos é que há todo o apoio moral, apoio financeiro nenhum”, disse Fernando Nogueira.

Fernando Nogueira, que é também presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira, no distrito de Viana do Castelo, adiantou que a manter-se a falta de apoios da Direção-Geral das Artes (DGArtes), a bienal “começa a não ter sustentabilidade”.

“A bienal de 2018 não teve apoio. A continuar assim, eu vejo o futuro das bienais de Cerveira muito, muito escuro, para não dizer negro”, reforçou.
Fernando Nogueira criticou que os apoios hoje conhecidos “fiquem circunscritos à região de Lisboa”.

“Só foram aprovadas três candidaturas da área de Lisboa [no concurso das Artes Visuais]. Parece que voltámos ao período que antecedeu o 25 de Abril, quando só os da capital é que tinham direito e ter acesso à Cultura”, atirou.

O presidente da FBAC acrescentou que “a candidatura apresentada aos apoios da DGArtes para a realização da bienal de 2020 é de cerca de 250 mil euros”, estimando que o orçamento para a próxima edição “ronde os 390 mil euros”.
“Já estamos a preparar a próxima bienal. Terá de ser, mais uma vez, a Câmara Municipal a fazer um esforço para tentar viabilizá-la. O projeto terá de ser amputado de uma parte importante. Espero que a Câmara ainda consiga fazer o esforço para suportar a próxima bienal”, observou.

A Bienal Internacional de Arte de Cerveira, a mais antiga da Península Ibérica, realiza-se desde 1978.
Em 2018, decorreu entre 15 de julho e 16 de setembro, e recebeu cem mil visitantes. A 20.ª edição apresentou mais de 600 obras, de 500 artistas de 35 países em 8.300 metros quadrados, num total de 14 espaços expositivos.
Um total de 102 entidades artísticas vão receber apoio no quadro dos Concursos Sustentados Bienais 2020/2021, segundo os resultados provisórios deste programa, divulgados hoje pela DGArtes.

De acordo com um comunicado da entidade responsável pela organização dos concursos de apoio público às artes, este resultado – com uma verba de 18,7 milhões de euros para o próximo biénio – “garante uma cobertura de 60% do total das 177 candidaturas elegíveis pelo júri”.

Estes resultados provisórios foram hoje comunicados às entidades candidatas e segue-se a fase de audiência de interessados, que terminará no dia 25 de outubro.
Os contratos com as estruturas com apoio realizar-se-ão até ao final do ano corrente, indica ainda a DGArtes.

Em maio, o museu da Bienal de Arte de Cerveira foi distinguido com o Prémio Museu do Ano 2019, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM).

O Prémio Museu do Ano é uma das principais distinções atribuídas pela APOM, num total de 27 categorias a concurso, que distinguem, entre outras áreas, a melhor intervenção e restauro, o melhor catálogo, a melhor exposição, mecenato e projeto museográfico.

A distinção, este ano, do museu pela APOM, visa a entidade responsável pela organização e gestão do acervo de obras de arte criado ao longo do decurso do certame dedicado à arte contemporânea, que se realiza há mais de 40 anos, em Vila Nova de Cerveira.

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