População de três freguesias em Caminha concentraram-se para exigir permanência de padre

As populações de Seixas, Lanhelas e Vilar de Mouros, em Caminha, convocaram neste domingo de manhã uma concentração pacífica para exigir a permanência do pároco local a quem a diocese de Viana do Castelo terá comunicado a mudança, em setembro, para Valença.

A iniciativa de apoio à permanência do padre de 36 anos partiu de um grupo de jovens da freguesia de Seixas, uma das mais populosas do concelho de Caminha. Na sexta-feira, os jovens lançaram uma petição online para enviar ao bispo da diocese de Viana do Castelo, já assinada por cerca de 700 pessoas, e criaram uma página nas redes sociais, intitulada “Fica Padre Ricardo Esteves”, onde apelam à mobilização dos paroquianos.

 O padre Ricardo Esteves está perfeitamente integrado nas paróquias e durante os últimos dez anos em que esteve à frente das mesmas conseguiu agregar e chamar muitos cristãos que, embora o sendo, estavam afastados da igreja. Não nos conformamos com esta decisão e lutaremos até ao fim para que a mesma seja revogada”, lê-se na petição que será enviada ao bispo Anacleto Oliveira.

Contactada pela agência Lusa, fonte do secretariado diocesano de Viana do Castelo informou que o bispo Anacleto Oliveira “não faz qualquer comentário sobre o assunto”.
A Lusa tentou ouvir o padre Ricardo Esteves, mas sem sucesso.

As nomeações sacerdotais são habitualmente realizadas antes do início do novo ano pastoral, em setembro.
No texto que acompanha a recolha de assinaturas pela permanência do padre Ricardo Esteves, os paroquianos dizem “não se conformarem” com a sua substituição e apelam ao bispo “que repense e volte atrás na decisão de o transferir para outra paróquia”.

 Queremos que ele permaneça à frente das obras sociais e projetos que tem vindo a desenvolver junto da comunidade, e que são muitos, sendo os mesmos transversais a todas as idades, com especial destaque para os jovens”, reforça o documento.

Alertam o bispo da Diocese de Viana do Castelo para os efeitos da saída do padre: “Com a sua decisão de o retirar para outra paróquia corremos o risco de vermos afastados muitos fiéis, principalmente jovens que veem no padre Ricardo um exemplo de bondade e solidariedade para com os outros”.
“Queremos que continue a traçar connosco este caminho de fé que ao longo de 10 anos construímos juntos”, reforça o texto da petição.

Na página criada no Facebook, os paroquianos apelaram a uma “grande” participação na concentração que teve início marcado para as 09:00 junto à igreja paroquial de Vilar de Mouros, seguindo depois para Lanhelas às 10:00 e terminando em Seixas às 11:00 com uma grande concentração com todas as freguesias no Largo de São Bento.

“Está na hora de todos nos unirmos e mostrarmos que juntos podemos e somos fortes. Não se esqueçam que a união faz a força. Vamos todos gritar bem alto para que o Senhor bispo ouça, em Viana do Castelo, que o padre Ricardo fica porque é essa a nossa vontade”, sublinha o apelo do grupo de jovens de Seixas.

Além das três freguesias de Caminha, em Viana do Castelo, a população de Santa Leocádia de Geraz do Lima, “opõe-se completamente” à nomeação do novo pároco indicado há três meses pela diocese.

Na terça-feira, no final de uma reunião que juntou, “cerca de 400 habitantes”, o porta-voz dos paroquianos, Agostinho Lima disse à Lusa ter sido aprovada “uma carta aberta a enviar a todos os órgãos eclesiásticos quer em Portugal, quer em Roma”.

“No documento, a população opõe-se completamente à nomeação do padre Adão Lima. Se a diocese [de Viana do Castelo] insistir e indicar uma data para a tomada de posse do novo padre, a população não irá comparecer, nem quer ser informada dessa tomada de posse”, afirmou Agostinho Lima.

O porta-voz declarou que “se a diocese não recuar, a freguesia prefere continuar sem padre”.

O impasse na paróquia de Santa Leocádia de Geraz do Lima, situada a cerca de 20 quilómetros da cidade de Viana do Castelo, arrasta-se há três meses na sequência da morte do pároco anterior, João Cunha, e da nomeação, pela diocese, do sucessor, padre Adão Lima. “Qualquer outro padre será bem recebido, menos o que foi nomeado pela diocese”, sustentou na ocasião o porta-voz dos paroquianos.