Companhia de teatro de Caminha retoma “guerrilha antiplástico” com nova peça

“Um inventor sedutor, uma mulher Tupperware, uma mulher pássaro e um marinheiro mais antigo do que o tempo juntos numa jangada de lixo plástico a flutuar no oceano” é o ponto de partida da mais recente peça da companhia de teatro Krisálida, que retoma a “guerrilha antiplástico”.

Em causa está a continuação do projeto “OPER(A)ÇÃO PLASTIKUS” que o grupo profissional de teatro, com sede em Caminha, está a desenvolver depois de ter recebido um apoio da Direção-Geral das Artes (DGArtes) “para utilizar o palco para abordar um dos maiores problemas da humanidade”, referiu em comunicado a Krisálida – Associação Cultural do Alto Minho.

Durante o ano, o projeto inclui dois espetáculos teatrais, um para crianças e outro para adultos, que abordam, em palco, “o problema do plástico e a ameaça que representa, ao não ser biodegradável, para a vida como a conhecemos”.

Depois da representação de um espetáculo para a infância, utilizando marionetas de plástico apanhado nas praias do Alto Minho para sensibilizar crianças e adultos para a poluição marítima causada por aquele material, a companhia vai apresentar a segunda peça.

“Também neste espetáculo para adultos, grande parte dos adereços e cenário é feito com plástico retirado do mar. Terminamos esta etapa do projeto com a sensação de dever cumprido e resta-nos agora levar este projeto a circular por todo o país! Este projeto contempla também o espetáculo PLASTIKUS, para a infância e a exposição itinerante (com trabalho criados a partir de lixo plástico no qual participaram mais de mil alunos do Alto Minho). Manteremos este projeto durante o próximo ano, para levarmos a nossa guerrilha antiplástico ao maior número possível de pessoas”, destacou a diretora artística da companhia, Carla Magalhães.

Com dramaturgia e encenação de Graeme Pulleyn, “Plastikus Artistikus” tem estreia marcada para 28 de junho, no Cineteatro de Vila Praia de Âncora, em Caminha, sendo o palco “uma jangada de quatro metros quadrados cheia de lixo plástico por reciclar”.

O resultado, conta Graeme Pulleyn, citado naquela nota, é um “espetáculo rebelde”, com uma estrutura imprevisível e uma energia muito própria, porque nasce dos quatro atores.

“As personagens foram criadas a partir dos quatro elementos: água, ar, terra e fogo. Só mais tarde surgiram as palavras, as vozes, os pensamentos de cada um. É um processo ao contrário do teatro convencional. O texto é a última coisa a aparecer. Tentamos evitar o didático, não queremos pregar sermões, mas abrir o debate, provocar a reflexão, inquietar, explorar e partilhar grandes questões éticas com o nosso público”, explicou.

A sinopse da nova peça, que depois das apresentações em Vila Praia de Âncora a 28 e 29 de junho segue para o Teatro Valadares, em Caminha, nos dias 6 e 7 de julho, conta que “quatro almas à deriva no mar que se encontram a ver os dias a passar e a inventar histórias, para provocar o debate sobre o problema concreto do plástico no oceano, das ilhas de lixo, dos animais que morrem, da poluição, da intoxicação, da destruição quase impercetível deste recurso tão precioso”.

O projeto “OPER(A)ÇÃO PLASTIKUS” culmina com a estreia do espetáculo “Plastikus Artistikus”, a oitava produção da Krisálida.

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