Presidente da Câmara de Ponte da Barca acusado de ‘bullying’ laboral

A vice-presidente da Câmara de Ponte da Barca, de maioria PSD, disse hoje à Lusa estar a ser vítima de ‘bullying’ laboral por parte do presidente Augusto Marinho, depois de se ter abstido na votação do orçamento para 2019.

“Estou a ser, literalmente, vítima de ‘bullying’ laboral (…) de forma muito mais evidenciada depois do meu sentido de voto. Contrariamente ao que o senhor presidente disse, que era uma atitude perfeitamente democrática, as situações que se têm verificado traduzem, claramente, o intuito de me vencer pelo cansaço, levar-me a desistir”, afirmou Maria José Gonçalves.

Em declarações à agência Lusa, que contactou por considerar “ter chegado o tempo para denunciar publicamente o ambiente de cortar à faca que se vive no executivo municipal”, Maria José Gonçalves explicou que estar a ser alvo de “usurpação ou negação” das funções inerentes aos pelouros que lhe foram atribuídos, após a vitória da maioria PSD naquele concelho do distrito de Viana do Castelo, nas eleições autárquicas de 2017.

“Não houve um ato formal de retirada de pelouros, mas efetivamente não estou a exercer as funções que me foram atribuídas”, sustentou a vice-presidente da autarquia, que detém as pastas da educação, cultura, desporto, ação social e turismo.

A agência Lusa tentou, mas sem sucesso, obter a reação do presidente da Câmara de Ponte da Barca.

A professora de 55 anos sublinhou que, após a sua abstenção na votação do orçamento para 2019, e “numa lógica de verdade, honestidade e frontalidade”, o presidente da Câmara tinha “toda a legitimidade” para a destituir, o que, “formalmente” não acontece.

“Isto traduz prepotência, falta de espírito democrático, e traduz o que a lei diz objetivamente. O ‘bullying’ laboral é considerado crime”, disse.

Questionada pela Lusa, a responsável afirmou “não estar fora de questão” a formalização de uma queixa junto Ministério Público (MP), mas acrescentou que irá “aguardar que as pessoas tomem atitudes e sejam coerentes”.

O orçamento para 2019 da maioria PSD foi viabilizado, em outubro, em reunião camarária, por um dos três vereadores da oposição socialista.

O apoio de Inocêncio Araújo está na origem do pedido de expulsão do partido que a concelhia local do PS enviou, na semana passada, para o conselho de jurisdição da federação distrital.

A expulsão foi decidida na sequência de uma proposta do secretariado local de retirada da confiança política a Inocêncio Araújo, entretanto, convidado a integrar o executivo camarário liderado pelo PSD.

Antes do Natal, em conferência de imprensa, o presidente Augusto Marinho anunciou “o reforço da equipa executiva com a atribuição de meio tempo ao vereador Inocêncio Araújo”.

Na altura, realçou a “atitude de proatividade, colaboração e disponibilidade” que Inocêncio Araújo “sempre” manifestou ao longo do atual mandato, “contribuindo ativamente para um debate sério e responsável, apresentando formal e informalmente propostas para a resolução dos problemas do concelho”.

Maria José Gonçalves referiu que a situação “altamente gravosa” de que está a ser vítima começou em outubro e agudizou-se nas últimas semanas de dezembro com o processo “muito bem planeado”.

“O senhor presidente não conversava comigo, com a sua vice-presidente, a sua vereadora, mas tinha todo o tempo do mundo para conversar e conspirar com o vereador da oposição, e demais pessoas”, sustentou.

Apesar de admitir estar a viver uma situação “tremendamente dolorosa”, em que foram “ultrapassados todos os limites”, Maria José Gonçalves garantiu que vai “cumprir a mandato até ao último dia”.

“A demissão está fora de questão como já disse, olhos nos olhos, ao senhor presidente. Pode tirar o cavalinho da chuva. Não sou mulher de desistir, mas de resistir”, frisou, garantindo estar a ser “ostracizada e isolada”, confrontando-se com situações que considerava “impensáveis” como a “retirada de meios de trabalho”.

Maria José Gonçalves adiantou estar ainda “profundamente desiludida e magoada” com os “joguinhos de poder” das estruturas locais do PSD, que acusou de a terem “vilipendiado, julgado e condenado sem que lhe terem dada a oportunidade para se defender”.

A próxima reunião ordinária do executivo municipal de Ponte da Barca está marcada para dia 10, pelas 10h00.